Universidade Estácio de Sá Entre no Campus Virtual

EDIÇÃO 11 16 de julho de 2004
Editorial
Entrevistas
Crônicas
Ficção
Fórum de Debates
Pós-Graduação
Coluna de Música
Coluna de Cinema
Coluna de Teatro
Coluna de TV
Coluna de Inglês
Coluna de Alemão
Coluna de Português
Colina de Francês
Coluna de Italiano
Lançamentos
Resenhas
Sebos
Livrarias
Humor
Eventos
Publicações em Jornais e Revistas
Cartas do Leitor
Artigos de ex-alunos
Coluna Social
Horóscopo
Classificados
voltar página principal números anteriores
 

BALAIO DE GATOS

Melissa de Moraes Poyares
Bacharel em Direito, revisora ortográfica e aluna do 4º período de Letras – Campus Méier

De "Betty, a feia" às bonecas de Miss Universo, tudo passa no mercado de fazer bobos.

– Ah, o amor... Aproveitando os corações ainda flutuantes do dia dos namorados, falemos sobre romance.

– Nesta edição teremos dor, paixão, desejo, angústia, risos, lágrimas... Tudo isso e muito mais. Pelo módico valor de cerca de 30 a 60 minutos, com o bumbum sentado na cadeira, você receberá uma dose de todos os ingredientes que fazem um bom dramalhão mexicano.

– Vamos à receita de hoje: ponha em uma panela um suprimento inesgotável de laquê, cabelos com topetes enormes (que não desarmam nem sob tempestade), figurinos simplesmente ridículos, infindáveis lágrimas, nomes compostos e clichês já puídos. Cozinhe por um tempo superior a 90 dias e... voila... temos uma nova trama.


Maria do bairro

– Convenhamos, na indústria das novelas, tudo é muito parecido. Em muitos casos, passam-se duas ou mais tramas, por vezes em canais e horários diferentes, com os mesmos atores, o que torna impossível ter um papel marcante. E creio que seja exatamente aí que resida a maior das bênçãos. O ator não sofre qualquer estigma, por vezes herói, por vezes vilão.

– As tramas rocambolescas sempre encantam. Queremos sempre mais do mesmo, fazendo a catarse nossa de cada dia, chorando pitangas, degustando mazelas. E, até no sofrimento do belo, tem-se aquela recompensa malévola de ver aquela mulher, com
A Q U E L E cabelo e A Q U E L A pele, comer o pão que o diabo amassou, o cachorro pisou e sob o qual a mosca depositou suas larvas.

– Sejamos honestos: não parecem ter migrado diretamente de um concurso de Miss? Que, diga-se de passagem, beira o absurdo. Qual a lógica de, em plena era do retoque, onde verdadeiras "barbies" humanas são produzidas com a ajuda de um botão, de um bisturi e de um mouse, realizar esse tipo de concurso? Beleza? Onde está a "belezura", a brejeirice e a formosura dos áureos tempos onde um centímetro fazia toda a diferença.

– Se estendermos essa breve inferência por puro amor ao debate, teremos que ressaltar o maior dos enganos: a transmissão e a sinfonia de babel que se tornou o evento. Aliado ao dueto dos apresentadores, tivemos o pessoal da tradução simultânea. No desfilar das candidatas, tudo foi tomando um contorno fantástico. Quem deveria ser ouvido? Pergunto-me até agora, posto que muito se falou e pouco se entendeu.

– Sabemos que esse tipo de evento possui grande audiência junto aos públicos 'chicano' e americano. Mas, daí a colocar dois apresentadores – um latino e um americano, quando é público e notório que só o inglês já seria bastante, reduziu o que, por si só, já tendia ao ridículo, ao tosco.


Miramar

– Isso sem contar os jurados, que ninguém nunca viu, ouviu ou soube exatamente de que buraco saíram. Não duvido da capacidade da comissão organizadora, mas não custava nada ter posto nos caracteres a ocupação dos sujeitos. De qualquer forma fica aqui o lembrete.

– Após os comerciais, voltemos, pois, aos trilhos.

– A invasão das novelas mexicanas (e, por "novela mexicana" entenda-se toda e qualquer produção de teledramaturgia de média ou longa duração produzida em países cujo idioma oficial é o espanhol, notadamente de cunho dramático, cômico ou infantil) se deu na década de 1980, com Chispita. Porém, apenas na década seguinte o fenômeno se enraizou na cultura brasileira. E teve no SBT (que, um dia, já foi TVS) seu maior expoente.

– Da "trilogia das Marias" (Marimar, Maria do Bairro e Maria Mercedes) a Carrossel, muitas lágrimas já foram derramadas por aqui.


Chispita

– Vale lembrar, também, das produções da Televisa adaptadas pelo SBT como Pícara Sonhadora, Pequena Travessa e Seus Olhos, fazendo bonito e competindo com os folhetins do "plim plim", cujas páginas desbotaram há muito, mesmo que o "bibop" insista em dizer o contrário.


Betty, a feia

– Outra emissora que tem investido no gênero é a Rede TV. Apostando na vertente cômica, exibiu, de um só fôlego, duas tramas hilariantes – Betty - a feia e Pedro - o escamoso.

– A coisa chegou ao ponto de os semanais que trazem os resumos do, entre outras coisas, "me falta grana para o analista", também se reportarem às tramas mexicanas. Até a MTV se rendeu à satirização do gênero, com uma campanha bem-humorada sobre sexo seguro chamada Algemas da Paixão. Quem não se lembra do Jornal Passional, do TV Pirata?

Para agradar aos saudosistas, lançamos, pois, a seguinte campanha: "Viva a novela mexicana!". Porque, se o gênero já virou genérico, melhor o produto original do que consumir os genéricos e as reprises do mesmo no "plim plim".


Pedro, o escamoso

E-mails para a coluna:
melmoyares@bol.com.br