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EDIÇÃO 11 16 de julho de 2004
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ISAURINHA GARCIA - PERSONALÍSSIMA

Francisco Carlos Malta
Ator e aluno do 7º período de Letras – Campus Rebouças


O espetáculo musical, estrelado por Rosamaria Murtinho, em cartaz no teatro João Caetano, narra a trajetória da primeira Rainha do Rádio Paulista, nas décadas de 40 e 50. Muitas músicas ficaram conhecidas por sua forte interpretação, como, por exemplo, "De Conversa em Conversa", "Vingança", "Castigo Precioso", entre outras. O espetáculo mostra ao todo 15 números musicais.

Os musicais brasileiros da última década têm se concentrado em biografias de cantores, com trilha sonora que reproduz o seu repertório, em escritura nostálgica que se confunde com homenagem. Ao se transformar quase em fórmula, esses musicais exploram a vida, pessoal e artística, de nomes da música brasileira, procurando envolver o biografado numa ambientação de época e traçar o seu temperamento através da música que este interpreta.

"Isaurinha Garcia, Personalíssima" cumpre uma tarefa difícil: ser mais um musical brasileiro, gênero que vem se estabelecendo nos últimos anos, fruto híbrido do musical da Broadway e do teatro de revista. Sem os recursos técnicos e materiais do "show business", como ocorre com CHICAGO em fase de produção em São Paulo, o espetáculo cumpre a função. Esta montagem equilibra-se entre a exaltação do mito da "primeira rainha do rádio paulista" e a maneira sem-cerimônia com que a própria Isaurinha fazia questão de se apresentar. A "personalíssima" é mostrada falando palavrões com sotaque do Brás, bebendo conhaque, desde o primeiro teste no rádio até a última carta de fã e, sobretudo, misturando desalentos afetivos com suas interpretações.

O texto de Júlio Fischer apresenta competência em suas pesquisas para a construção do roteiro do espetáculo. Rosamaria Murtinho, que já havia encarnado com sucesso Chiquinha Gonzaga, arrasa no palco. Sem maneirismos de voz e reproduções imitativas, compõe criteriosamente a personalidade da cantora. A atriz imprime naturalidade à sua interpretação, que emociona em alguns momentos. Evita as armadilhas da caricatura, com aguçada sensibilidade. O elenco de apoio é fraco, sem muita noção de palco e tão pouco de número musical. Falta muito estudo e bagagem para brilharem ao lado de Rosamaria Murtinho.

A cenografia de Alexandre Murucci atende as necessidades do espetáculo, enquanto os figurinos de Marcelo Marques são de extremo bom gosto. A iluminação de Paulo César Medeiros contribui com boas resoluções. A diretora Jacqueline Laurence consegue bons momentos, reproduzindo o glamour da época. O espetáculo apresenta o melhor momento logo no primeiro ato, na "apoteose" que evoca com eficácia o mito Isaurinha.

"Personalíssima", embora não escape do formato que já é consagrado pelo sucesso de alguns modelos, emociona e encanta mais do que propriamente por suas qualidades dramáticas.

E-mails para a coluna:
franciscomalta@hotmail.com