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EDIÇÃO 11 16 de julho de 2004
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ESCREVENDO A PAZ / Den Frieden schreiben

Angela Duarte
Aluna do 5º período de Relações Exteriores – Campus Niterói
Assessora de Administração do UNIC Rio

O professor ainda avisa: "o filme é violento" e "Tempos de Guerra" toma a tela da TV por duas horas.

Ao fim do filme saio da sala perturbada. Como elaborar um texto com o título "Escrevendo a Paz" depois deste filme? Tratar da paz, sem mencionar a guerra?

O filme mostra como diferenças, irrelevantes em tempos de paz, vão se abrindo em profundos abismos durante a guerra. Como barbárie e bestialidade se alastram em sórdido campo fértil humano. Que, em meio a tanta crueldade, amor e esperança revelam-se frágeis como um recém-nascido.

O triste fato histórico, a invasão da capital chinesa Nankin pelo exército japonês, ocorreu em dezembro de 1937. Meu pai tinha então cinco anos. Minha mãe viria a nascer dois anos depois. Ele no Brasil, ela na Áustria. Países inimigos durante a Segunda Guerra Mundial. E o garoto carioca que detestava a "língua do bandido", sequer imaginava que anos mais tarde faria seu pedido de casamento com todo amor em alemão.

Tempos de paz.

Vi a foto num verão, quando passava férias na casa de minha avó. Levemente amarelada, uma jovem mulher, frigideira na mão, me fita, sorrindo feliz.

"Estava fritando schnitzel. Aí anunciaram no rádio o início da guerra", lembrou.

Era recém-casada e sorria feliz. Pouco tempo depois seu marido tombaria em solo italiano.

Abismos.

Escrever a paz é transpor diferenças, soterrar abismos.

 

 

 

 

Der Lehrer warnt uns noch: "der Film ist gewalttaetig" und "Don't cry Nanking" nimmt zwei Stunden lang den Bildschirm ein.

Als der Film zu Ende ist, verlasse ich schwer durcheinander das Unterrichtszimmer. Wie, nach einem solchen Film, einen Aufsatz gennant "den Frieden schreiben" hervorbringe? Wie, sich mit dem Frieden befassen, ohne den Krieg zu erwaehnen?

Der Film zeigt wie Unterschiede, bedeutungslos in Friedenszeiten, waehrend dem Krieg sich allmaehlich in tiefe Abgruende aufreissen. Wie Barbarei und Bestialitaet sich im niedertraechtigen, fruchtbaren menschlichem Felde ausbreiten. Dass, inmitten sovieler Grausamkeit, Liebe und Hoffnung sich zerbrechlich wie ein Neugeborener erweisen.

Diese traurige Episode der Geschichte, naemlich die Einnahme der chinesischen Haupstadt Nanking durch die japanische Streitmacht, geschah im Dezember 1937. Damals war mein Vater 5 Jahre alt. Meine Mutter wuerde zwei Jahre spaeter auf die Welt kommen. Er in Brasilien, sie in Oesterreich. Befeindete Laender waehrend dem II Weltkrieg. Und jener Bub aus Rio de Janeiro, der "die Sprache des Feindes" hasste, haette jemals traeumen koennen, dass er Jahre spaeter seinen Hochzeitsantrag liebevoll auf Deutsch aussprechen wuerde.
Friedenszeiten.

Das Foto sah ich eines Sommers, als ich bei der Grossmutter Ferien verbrachte. Leicht vergilbt, eine junge Frau, Brattpfanne in der Hand, laechelt mir gluecklich zu:

"Ich machte gerade Schnitzel. Da meldet es im Radio, dass Krieg ist" erinnerte sie sich. Sie war frisch verheiratet und laechelte gluecklich. Kurze Zeit darauf wuerde ihr Mann auf auf italienischem Boden fallen.

Abgruende.

Den Frieden schreiben heisst, Unterschiede ueberwinden.
Abgruende zuschuetten.

E-mails para a autora:
usc.rj@globo.com