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EDIÇÃO 1 18 de agosto de 2003
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Francisco José de Goya y Lucientes

Nasceu em Fuentedetodos, Aragão, Espanha, em 30 de março de 1746; morreu em Bordéus, França, em 16 de abril de 1828.

Filho do mestre dourador José de Goya e de Gracia Lucientes, começou os estudos em Saragoça, ensinado pelo pintor José Luzán (instruído em Nápoles, professor na Academia de Desenho de Saragoça), e foi, mais tarde, em Madri, discípulo do pintor da corte espanhola, Francisco Bayeu, tendo casado com a irmã deste em julho de 1773. Em 1770, foi para Itália continuar os estudos, pelos seus próprios meios, regressando no ano seguinte a Saragoça, onde foi encarregado de pintar afrescos para a catedral local. Esse trabalho foi executado com espaços de tempo, durante os dez anos seguintes, até que se incompatibilizou com a Junta da Fábrica [da Basílica de Nossa Senhora] do Pilar.

Em 1775, tendo passado a viver em Madrid, chamado por Francisco Bayeu (seu cunhado), foi encarregado de pintar a primeira série de cartões, de um lote que acabaria por chegar em 1792 às 60 pinturas, para a Real Fábrica de Tapeçarias de Santa Bárbara. Nesse trabalho, foi dirigido pelo artista alemão Anton Raphael Mengs, um dos expoentes do Neoclassicismo, e diretor artístico da corte espanhola, com o título de "Primeiro Pintor da Câmara". Em 1780, foi eleito membro da Real Academia de São Fernando de Madri, sendo admitido com um quadro intitulado "Cristo na Cruz". Em 1785, tornou-se diretor-adjunto de pintura da Academia e no ano seguinte foi nomeado pintor do rei Carlos III. A essa época pertencem os primeiros retratos de personagens da corte espanhola, que começaram com o quadro do Conde de Floridablanca (1783), continuando com o retrato de "Carlos III, caçador" e que terminam com os quadros oficiais do novo rei, Carlos IV, e rainha, Maria Luísa (1789). Retratos em poses convencionais, mas de uma elegância que os relaciona com os retratos de Velasquez.

Nomeado "Pintor da Câmara" pelo novo rei de Espanha, Goya torna-se nesse período, que acabará em 1808 com a invasão francesa da Espanha, o artista mais bem sucedido da Espanha. Em 1792, viajando pela Andaluzia, sem autorização real, adoece gravemente, só se restabelecendo em abril de 1793, ficando surdo. São dessa época as pinturas de gabinete que representam cenas de diversões típicas espanholas, mas que terminaram em 1799 com "O Manicômio". Dessa viagem pelo sul da Espanha nasce a amizade com a duquesa de Alba, que retratará, assim como ao seu marido, em 1795. Em 1796 e 1797, Goya visitará em estadias prolongadas a duquesa de Alba nas suas propriedades na Andaluzia, começando a produzir as gravuras em água-forte a que dará o nome de "Os Caprichos", e que acabarão por constituir uma longa série de 80 gravuras. Quando as termina, em fevereiro de 1799, coloca-as à venda na loja de perfumes embaixo da sua casa, em Madri. Mas, progressivamente, vai retirando-as de venda, possivelmente por reconhecer terem referências a pessoas conhecidas. Em 31 de outubro de 1799, foi nomeado "Primeiro Pintor da Câmara", com direito a coche. Em 1803, deu ao rei as chapas dos "Caprichos", em troca de uma pensão para o filho Francisco Xavier, nascido em dezembro de 1784.

Em 1798, começa a sua segunda época de retratos de figuras públicas, pintando o ministro Jovellanos e o embaixador francês Guillemardet, passando pelo seu famoso retrato da família real espanhola (1800-1801) e terminando nos retratos do marquês de San Adrián (1804) e de Bartilé Sureda (1806). Em 1808, o general Palafox chama-o a Saragoça para pintar as ruínas e episódios da defesa heróica da cidade contra os franceses. Mas, em dezembro de 1809, Goya jura fidelidade a José Bonaparte, nomeado rei de Espanha pelo irmão Napoleão, imperador dos franceses, recebendo em 1811 a condecoração da Ordem Real de Espanha. É dessa época a realização dos "Desastres da Guerra" que se prolongariam até 1814, e que, devido ao seu estilo impressionista, influenciariam pintores franceses do século XIX, como Monet.

Em 1814, começando o seu processo de "purificação" das suspeitas de colaboracionismo com o regime do "rei José", entrega os primeiros testemunhos que declaram que Goya não era afeto ao governo intruso, pintando os quadros "O Três de Maio" ou a "Carga dos Mamelucos" e os "Fuzilamentos da Moncloa", para perpetuar a resistência e a luta do povo espanhol contra Napoleão Bonaparte. Em dezembro, termina o quadro eqüestre do general Palafox.

No ano seguinte, a Inquisição abre um processo por obscenidade pela suas "Majas", mas o pintor consegue a "purificação", sendo-lhe restituída a função de "Primeiro Pintor da Câmara". Pinta vários retratos de Fernando VII, evocando melhor que ninguém a personalidade cruel do rei.

Com o fim do triênio liberal (1820-1823), o fracasso de uma nova tentativa de instauração de um regime liberal na Espanha (1824) e o reacender das perseguições, pede autorização para ir para França, para as Termas de Plombières, por motivos de saúde, partindo em maio de 1824. Em setembro desse ano, instala-se em Bordéus, morrendo em 1828.

FOTOS DE GOYA:

Auto-retrado de 1773-74 Auto-retrato de 1815

ASSINATURA:

QUADROS DE GOYA:

Clique nas imagens para vê-las ampliadas.

Fuzilamentos da Moncloa Saturno devora
seus filhos
Família de Carlos IV

Sabbat

Inquisição

Tourada

Homens lendo O cachorro