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EDIÇÃO 1 18 de agosto de 2003
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COLEÇÃO "OS DESASTRES DA GUERRA"

Sobre "Os Desastres da Guerra" (1810-1814) pode-se dizer que, juntamente com a série de gravuras "Os Caprichos" e mais a série sobre as touradas e outros costumes do povo espanhol, constituem uma das coleções mais contundentes de Goya. Pontuada por um forte senso crítico contra as atrocidades da guerra, contra a perda de vidas sem sentido. Percebemos nas gravuras "Desastres da Guerra", cadáveres anônimos, mortos de maneira violenta e selvagem. Neles estão reveladas a fragilidade e a efemeridade de um corpo material. É quando começa uma fase mais sombria de sua pintura, a que o poeta Baudelaire referiu-se como sendo "o absurdo possível".

"Os Desastres da Guerra" foram feitos durante a Guerra da Espanha com a França, em que os monarcas espanhóis acabam se acovardando diante dos invasores e o povo é vítima de grande sofrimento. Impressionado pelas atrocidades da guerra, pinta também "Fuzilamentos", "Três de Maio" (1808). Trata-se de cenas com grande efeito dramático, pautadas sobre um forte senso crítico, mostrando episódios sangrentos e cenas de horror de uma maneira bastante real, em um dos mais veementes protestos contra a crueldade de uma guerra, contra as atrocidades, os vícios, a superstição e a estupidez humana, de um modo geral.

Após a guerra, intensifica-se seu fascínio pelos temas de bruxaria e as figuras monstruosas e retorcidas. Após um segundo ataque de sua doença (a surdez), pinta grandes murais, em tons como o preto, o cinza e o marrom. "Saturno Devorando Seus Filhos", por exemplo, é uma cena mostrada com particular ferocidade.

Quanto à série "Os Caprichos" (1796 - 1797), a estampa 43 é uma das mais famosas deste artista que condenava o excesso de fantasia, capaz de produzir monstros, tanto em arte, como na vida. Razão e imaginação deveriam estar sempre unidas para que ambas não se deixassem levar pelos exageros racionalistas, por um lado, e sensualistas, por outro. Seja em arte, seja nas decisões prática, a racionalidade pura não poderia (e não poderá) ir muito longe, sem a sensibilidade que, por sua vez, pode levar a desastres, enquanto a razão sonha.

Site sobre "Os Caprichos" - imagens da coleção completa
http://goya.unizar.es/InfoGoya/Obra/CaprichosIcn.html

Site sobre "Os Desastres" - imagens da coleção completa
http://goya.unizar.es/InfoGoya/Obra/DesastresIcn.html

Veja, na galeria de imagens, cenas ainda não adulteradas da coleção "Os Desastres da Guerra" e a estampa 43 de "Os Caprichos":

Galeria de fotos:

Clique nas gravuras para vê-las ampliadas.

Os desastres da guerra nº 15
"Não tem remédio"
Os desastres da guerra nº 30
"Estragos da Guerra"
Os Caprichos - estampa 43
O sonho da razão produz monstros