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EDIÇÃO 1 18 de agosto de 2003
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Entrando on-line na segunda quinzena de agosto, nosso jornal nasce sob o signo de Leão. Para os que não sabem, Leão é regido pelo sol: princípio da vida, irradiador de calor, e, como dita a astrologia tradicional, ele confere aos nascidos nesta época energia criativa e o desejo de não passar desapercebido.

Esse espaço, a cada nova edição, escolherá uma personalidade. Tentaremos achar pontos convergentes - ou divergentes - entre o signo solar e sua obra. Há, obviamente, vários leoninos dignos de nota; contudo, neste primeiro número, temos um dos mais populares leoninos brasileiros vivos, Caetano Veloso.


LEÃO:

22 DE JULHO A 22 DE AGOSTO

REGENTE:
SOL

ELEMENTO:
FOGO

TIPO:
FIXO

SIGNIFICADO:
AFIRMAÇÃO DA VONTADE DO EU. EXPRESSÃO DA AUTORIDADE. ESPÍRITO CRIADOR. MUNDO DA AUTO-ESTIMA.

CAETANO VELOSO

Nascido em 7 de agosto de 1942, sob o signo de Leão, Caetano tem forte presença das características primordiais do astro que o rege: o sol. Não é sem razão que, ao longo de suas composições, o astro-rei é tantas vezes citado. A título de exemplificação, lembremos algumas de suas composições, emblemáticas:

"Alegria, alegria" (4ª colocada no II Festival da Record, em 1967)

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

ou, como em "A grande borboleta" (LP "Bicho", 1977)

A grande borboleta
Leva numa asa a lua
E o sol na outra
E entre as duas a seta

ou, na composição "Força estranha" (1978), gravada por Roberto Carlos:

Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
O tempo não pára e, no entanto, ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é a estrada, é o tempo, é o pé, é o chão

Esse sol, embora seja signo metafórico, é uma referência para Caetano Veloso. Depois de preso e tendo de se exilar em Londres, por conta do regime militar imposto no Brasil, Caetano não deixará de fazer referência, ao tomar de empréstimo a composição popular "Marinheiro só", presente em seu LP "Transa" (1972):

Eu não sou daqui
E cadê meu sol dourado
Eu não tenho amor
E cadê as coisas
Do meu país?

Não apenas o sol será referência para Caetano: o próprio signo "leão" aparecerá inúmeras vezes ao longo de sua carreira. Tomemos alguns exemplos, além da óbvia composição "leãozinho", feita para seu filho Moreno, "um filhote de leão raio da manhã":

"Terra" (LP "Muito", 1978)

Terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente

Ou como sutilmente constrói a relação com o feminino, na composição do LP "Outras palavras" (1981) "Rapte-me camaleoa" (a mistura de "cama" com "leoa", insinuando a parceira como projeção do eu, que é "leão"), ou, ainda, em "O homem velho" (LP "Velo", 1984)

O homem velho é o rei dos animais
A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol

Não restam dúvidas de que Caetano Veloso consegue manter as características básicas do signo: o poder da criação, a expressão ativa no mundo, o magnetismo e a capacidade de seduzir. Há, inclusive, uma faceta pouco percebida, típica do leonino, que é a de ser um educador nato. Não são poucas as composições em que o poeta procura desenvolver a habilidade da reflexão, principalmente em torno de questões que causam mal-estar à sociedade brasileira. Assim, por exemplo, em "Haiti" (LP "Tropicália 2", 1993), em que a questão da violência é problematizada de forma contundente, ou como na composição "Língua" (LP "Velo", 1984), em que propõe densa reflexão sobre a memória cultural e a própria língua como reflexo de uma construção civilizatória. Muitas outras poderíamos citar, pois, sem dúvida, como bom leonino, Caetano não só ensina, como pratica.

Se os leoninos gostam de palco, de luzes, de festa, Caetano está no lugar certo e é um exemplo a ser seguido. Fica, pois, o desafio para os leoninos, seja no sentido de pesquisarem mais sobre o seu trabalho, seja para aceitarem as marcas pessoais e alargarem o seu conhecimento.

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