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EDIÇÃO 1 18 de agosto de 2003
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O HOMEM QUE COPIAVA

"Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia"

O protagonista vê, dia-a-dia, centenas de cópias passarem por suas mãos. São sonetos de Shakespeare (de onde vem a verso acima) , aulas de História, imagens dispersas. Porém, a monotonia das luzes da fotocopiadora está longe de acontecer no roteiro de "O homem que copiava", de Jorge Furtado.

Segundo longa do diretor (o primeiro foi "Houve uma vez dois verões", 2002), "O homem que copiava" nos traz uma história ágil, centrada em uma tentativa de golpe por parte de André (Lázaro Ramos), um operador de xerox.

Contando com Pedro Cardoso, Leandra Leal e Luana Piovani, o filme alterna momentos de suspense com comédia em medida certa.

Os dramas e as escolhas dos personagens são tratados de forma bastante humana. O deslize, o golpe acontecido, não serve para nenhuma lição de moral – o espectador acabará por sentir empatia pelos anti-heróis e tirará as conclusões por si mesmo.

Somos levados a entrar no quarto solitário do protagonista que, à noite, utiliza a imaginação para alçar vôos com os quadrinhos que cria. Seus personagens também participam do filme, em uma harmoniosa interação com desenho animado.

Talvez o grande trunfo do filme seja justamente conseguir aliar conteúdo à diversão. Ou seja, pensa-se durante o filme. E pensa-se com prazer. Há questões sociais embutidas, há a vergonha da falta da perspectiva econômica que assola o país, há o inferno íntimo e secreto das famílias desfragmentadas, das crianças que sofrem abusos. Mas com tudo isso, o filme consegue fazer com que se saia "bem" da sala de projeção. Paira uma grande leveza, a despeito das situações angustiantes pelas quais passam os personagens.

Vale a pena, também, prestar atenção no trabalho de edição do filme - a mistura de gêneros, alguns longos planos-seqüência, a introdução detalhada do perfil de André, em off.
Finalmente, há de se notar a idéia permanente de colagem que permeia a narrativa. Sob os olhos de André (Lázaro Ramos) desfilam fragmentos: são as fotocópias, são as imagens do "zapping" da TV, são seus quadrinhos com o rosto de Eleonor Roosevelt sobre o desenho feito à mão. A respeito disso, o próprio Furtado diz: "Eu também sou meio assim. Minha formação acadêmica foi bem confusa: fiz artes plásticas, medicina e jornalismo, mas virei cineasta. Esse tipo de raciocínio fragmentado caracterizou minha geração e se acentuou nas seguintes – com o controle remoto, a internet."

O HOMEM QUE COPIAVA
Brasil, 2002

Direção e Roteiro:
Jorge Furtado

Produção Executiva:
Luciana Tomasi, Nora Goulart

Fotografia:
Alex Sernambi

Direção de Arte:
Fiapo Barth

Figurino:
Rô Cortinhas

Animações:
Allan Sieber

Montagem:
Giba Assis Brasil

Assistente de Direção:
Ana Luiza Azevedo, Márcio Schonardie

Direção de Produção:
Marco Baiotto

Produtor de Arte:
Pierre Olivé

Atores principais:
Lázaro Ramos ........................ André
Leandra Leal .......................... Silvia
Luana Piovani ........................ Marinês
Pedro Cardoso ....................... Cardoso
Paulo José .............................. Paulo
Júlio Andrade ........................ Feitosa
Carlos Cunha ........................ Antunes

A trama gira em torno das personagens:

SINOPSE:

André, que tem 20 anos, segundo grau incompleto, mora com a mãe e trabalha numa fotocopiadora, em Porto Alegre, junto com Marinês. Além disso, André gosta de desenhar e de Sílvia, que tem 18 anos, faz pré-vestibular à noite e trabalha como balconista em loja de roupas femininas. Ela mora com o pai e gosta de ler. Marinês namora um alemão que mora na Holanda e adora vestidos caros, que não pode pagar. Cardoso, por sua vez, faz tudo por Marinês, até largar o cigarro. André faz planos para conseguir dinheiro: precisa de 38 reais para ajudar Sílvia. O resto, só vendo o filme...

Informações sobre o filme no site:
http://www.casacinepoa.com.br/homem/index.htm

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