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EDIÇÃO 1 18 de agosto de 2003
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Amigo Letrado, o objetivo desta coluna é mantê-lo informado sobre os principais lançamentos literários não só, mas, principalmente, da nossa área de Letras.

Como leitora assídua que sou, pretendo compartilhar com todos vocês minhas descobertas e assuntos que possam interessar a todos.

Conto com a colaboração de vocês.

Boas Leituras!
Beijos mil,
Flávia França
livros_letras@ig.com.br


BANQUETE COM OS DEUSES
VERÍSSIMO, LUIS FERNANDO

Editora: OBJECTIVA
Número de páginas: 232

Em Banquete com os Deuses, o escritor gaúcho divide com o leitor 73 crônicas divertidas, ternas e peculiares sobre sua relação com a arte e a cultura. O livro reúne lembranças do menino sensível e seu deslumbramento diante da magia da grande tela, confissões de um cinéfilo entusiasta, falando dos filmes, astros e estrelas que marcaram sua vida, impressões do leitor voraz ao longo de suas aventuras literárias, além de devaneios de um amante da música, melodiosos como um bom improviso de jazz.

Truffaut, Fellini, Chaplin, Flaubert, Marquês de Sade, Miles Davis, Cartola, Chico Buarque, Chet Baker, Salvador Dali estão todos aqui, nesse livro em que Veríssimo celebra suas grandes paixões e faz do leitor um convidado especial.

Luis Fernando Veríssimo é um dos mais respeitados autores da literatura contemporânea.

13 DOS MELHORES CONTOS DE AMOR DA LITERATURA BRASILEIRA
Strausz, Rosa Amanda

1ª EDIÇÃO
Editora: EDIOURO
Número de páginas: 156

Explode, coração. Explode em palavras, para os escritores, e em lembranças, para os leitores. Impossível chegar às últimas páginas desse livro sem que todos os pontos sensíveis do amor tenham sido tocados: a ansiedade, a espera, a realização, a traição, o abandono, a saudade, o recomeço, a esperança. Os 13 contos que compõem esse livro são assim: dão vontade de sair amando. Irresistíveis, eles provam que a palavra ainda é a melhor arma de sedução. Deixe-se conquistar por essas histórias.

Começa um emocionante caso de amor com a literatura brasileira. Irresistíveis, enamorados, apaixonados, os 13 contos organizados por Rosa Amanda Strausz que compõem esse livro provam que a palavra ainda é a melhor arma de sedução.

Foram convocados alguns dos melhores escritores brasileiros, a fina ironia de Machado de Assis, Drummond e Luiz Fernando Veríssimo dividem espaço com a delicadeza de Marina Colasanti, o lirismo de Paulo Mendes Campos e o desespero de Caio Fernando Abreu. Ao lado de autores já consagrados, revelam o olhar de contistas menos conhecidos do público, mas prontos para despertar um dos mais duradouros tipos de caso de amor que atinge o leitor: a paixão pelo texto.

O amor fala. Está presente nos romances, nos poemas, nas crônicas, contos, na literatura infantil, nos romances policiais, nos contos de fada, nas narrativas orais, nas histórias em quadrinhos. Antes que alguém lembre que os limites entre os gêneros literários andam tão esfumaçados como aqueles que delimitam amor e paixão ou amor e morte, ou amor e ódio, ou amor e tédio, convém explicitar os critérios que nortearam a escolha das treze histórias que compõem o livro.

Seria razoável e fácil buscar nos clássicos as melhores histórias de amor, diz Rosa Amanda. Mas, assim como a literatura, o amor nunca é razoável e raramente é fácil. Como ponto de partida, uma única exigência editorial: trabalhar com contos ou crônicas. Nada de cartas, poemas, fragmentos ou letras de música. Tanto o conto quanto a crônica são relativamente recentes na história da literatura brasileira. Aqui, o conto surge como romantismo, mas só ganha força de verdade no realismo, o que pode ser traduzido em termos cronológicos como o fim do século XIX a celebrar a revolução sexual, a igualdade dos gêneros e a falência do modelo familiar tradicional. Aqui, o amor idealizado dá lugar à transgressão, à solidão, ao desencontro e à expectativa. Não é à toa que muitas histórias tratam da dissociação entre amor e casamento, ou do primeiro amor, da impossibilidade do encontro perfeito ou da sombra imposta pela Aids.

Deixe-se conquistar por essas histórias. São verdadeiros beijos de língua (portuguesa), prontos para fazer sonhar, suspirar... e querer mais...

Sobre a organizadora: nascida em Niterói, Rosa diz que escreve para viver, em todos os sentidos. É formada em Jornalismo pela Escola de Comunicação Social da UFRJ e tem um mestrado em Ciência da Informação pelo IBICT/UFRJ. A mistura de texto com informação se deve ao fato de que, para ela, a palavra transcende os livros. Estreou na literatura em 1991, com o livro de contos Mínimo Múltiplo Comum, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti. Mas a carreira de escritora para adultos foi interrompida por esta paixão nova – e sempre renovada – escrever para criança. Começou em 1995, com o Mamãe trouxe um lobo para casa!(Prêmio Revelação da FNLIJ) e não parou mais, lançando mais de uma dezena de títulos infanto-juvenis, entre os quais se destacam: A coleção de bruxas de meu pai (Prêmio Revelação da FNLIJ) e Uólace e João Victor (Prêmio João de barro e Selo Altamente Recomendável

TEATRO DE MACHADO DE ASSIS
FARIA, JOAO ROBERTO

1ª EDIÇÃO
Editora: MARTINS FONTES EDITORA
Número de páginas: 617

Para todos os leitores, essas comédias reservam surpresas agradáveis. Enquanto comediógrafo, Machado permitiu-se o exercício da leveza, criando enredos simples para pôr em cena tanto o amor sincero e os bons sentimentos quanto a sátira a certos tipos e costumes sociais e políticos de seu tempo.

Machado de Assis, o maior escritor brasileiro do século XIX, conhecido e admirado pela autoria de romances notáveis, foi também um homem de teatro. Suas comédias, reunidas no presente volume, formam um conjunto que merece a atenção dos interessados em conhecer sua obra completa, dos especialistas em literatura brasileira e dos estudiosos da nossa história teatral. Para todos os leitores, essas comédias reservam surpresas agradáveis.

Enquanto comediógrafo, Machado permitiu-se o exercício da leveza, criando enredos simples para pôr em cena tanto o amor sincero e os bons sentimentos quanto a sátira a certos tipos e costumes sociais e políticos de seu tempo. O universo apresentado é quase sempre o da alta burguesia, com personagens cultos, espirituosos e elegantes, que mantêm diálogos aos quais não faltam chistes, bom humor e ironia refinada. Desprovidas de recursos farsescos, as comédias de Machado afirmam-se pela linguagem de expressivo valor literário.

João Roberto Faria


CORACAO, CABEÇA E ESTÔMAGO
BRANCO, CAMILO CASTELO

1ª EDIÇÃO
Editora: MARTINS FONTES EDITORA
Número de páginas: 243

Um dos escritores mais lidos no Brasil durante o século XIX, Camilo Castelo Branco é uma referência importante para compreender os rumos da ficção brasileira dos períodos romântico e realista. Foi o primeiro escritor português a viver apenas do seu ofício. Numa sociedade que não dispunha de um número expressivo de leitores, num tempo em que os direitos autorais estavam começando a ser reconhecidos, Camilo teve de escrever muito. Suas obras contam-se em centenas: foi poeta, teatrólogo, novelista, crítico literário e tradutor de grande atividade. O espantoso, no caso, não é que tenha escrito tanto, mas que tenha escrito tanto e tão bem sobre um enorme leque de assuntos, versados em vários gêneros. Nesse livro, o leitor encontrará um dos momentos mais luminosos da sua obra: uma novela satírica, na qual o que dá a solda dos vários episódios soltos e razoavelmente simples é o estilo e o jogo entre as instâncias narrativas e autorais. Por conta disso, Coração, cabeça e estômago talvez seja, dentre todos os de Camilo, o livro que reúna mais probabilidades de permanecer como referência viva para a prosa contemporânea de língua portuguesa ao longo do século que se inicia.

P.Franchetti


Gênio
Bloom, Harold

Tradução: José Roberto O'Shea
Número de páginas: 832

Autor de 21 livros, professor catedrático nas universidades de Yale e Nova York, Harold Bloom é considerado um dos mais importantes críticos literários do ocidente. Sua obra é abrangente e diversificada
Gênio reúne 100 nomes essenciais da literatura mundial de todos os tempos, o crítico americano lançou mão de uma definição estritamente pessoal do conceito de genialidade. Para ele, fundamentalmente, consciência é o que define o gênio:

"Todas as mentes criativas exemplares aqui incluídas contribuíram para a expansão da consciência dos respectivos leitores e ouvintes. As questões que devemos colocar a qualquer escritor são as seguintes: ele ou ela alarga a nossa consciência? E como isso se dá? Sugiro um teste simples, mas eficaz: fora o aspecto do entretenimento, a minha conscientização foi aguçada? Expandiu-se a minha consciência, tornou-se mais esclarecida? Se não, deparei-me com talento, e não com gênio. Aquilo que há de melhor e de primordial em mim não terá sido tocado", esclarece Bloom.

Com a escrita sensível de um leitor apaixonado e a argúcia crítica de estudioso erudito, Harold Bloom nos leva a uma fascinante viagem pelo mundo da literatura, contemplando-nos com visões originais de textos consagrados. Desde a Bíblia até Sócrates, passando pelos feitos transcendentais de Shakespeare e Dante, até chegar a Machado de Assis, Faulkner e Hemingway, Bloom atravessa séculos, apontando insuspeitas analogias entre os gênios por ele selecionados, as surpreendentes influências que se estabeleceram ao longo do tempo.

Único brasileiro a figurar na privilegiada coletânea Machado de Assis é incluído na série de escritores que Bloom classifica "como mestres da narrativa erótica", da qual fazem parte também Flaubert, Eça de Queirós, Jorge Luiz Borges e Italo Calvino. "A genialidade de Machado", argumenta o crítico, "é manter o leitor preso à narrativa, dirigir-se a ele freqüentemente e diretamente, ao mesmo tempo em que evita o mero realismo (que jamais é realista)". Da obra machadiana, Harold Bloom aponta o romance Memórias póstumas de Brás Cubas como o seu favorito: "O livro é cômico, inteligente, evasivo, uma leitura prazerosa, oração após oração. O gênio de Machado nega qualquer páthos, ao mesmo tempo em que subverte todos os supostos valores e princípios, bem como a suposta moral".
Ao longo de meio século de ensino de literatura e produção bibliográfica, Bloom vem cativando leitores com a generosa partilha de sua erudição, em textos que encantam pela clareza, inteligência e sensibilidade.

Gênio é obra de referência indispensável a todos os que desejam ter uma visão ampla do melhor da literatura de todos os tempos.



COLEÇÃO BIBLIOTECA O GLOBO
TODO DOMINGO NAS BANCAS UM GRANDE RELANÇAMENTO A PREÇO POPULAR

28/07 - SIDARTA
HESSE, HERMANN

Editora: RECORD
Número de páginas: 175

Quem diz "não" a si próprio não pode dizer "sim" a Deus. A idéia, do escritor alemão, naturalizado suíço, Hermann Hesse (1877-1962), sintetiza os princípios que regem sua vasta obra literária, particularmente seu romance mais célebre, Sidarta. Para Hesse, o caminho que conduz à espiritualidade não é o que recua, mas, ao contrário, o que avança em direção à vida, ao mundo e ao Eu. Esta idéia é um resultado direto de sua própria experiência existencial. Hesse só encontrou seu destino literário depois de abandonar os estudos de teologia, rebelando-se contra a educação espiritual ministrada pelo pai, um severo pastor protestante. Após romper com a religião, ele vagueou entre ofícios dispersos, sendo aprendiz de relojoeiro, trabalhando como livreiro e como mecânico, até que, já próximo dos 30 anos de idade, aproximou-se, enfim, da literatura. E para a literatura transportou todas as suas inquietações.

Assim como outras inesquecíveis criações de Hermann Hesse, Sidarta é uma reflexão sobre a busca da sabedoria que encanta gerações. Fruto de uma viagem à Índia em 1911, foi publicado onze anos depois, em 1922. Sidarta é um espírito rebelde, que seguiu os ensinamentos de Buda, mantendo-se fiel à sua própria alma.

Livro síntese da filosofia de Hesse, em Sidarta o escritor celebra o misticismo como uma forma dolorida, mas insubstituível, de crescimento. Filho de um brâmane, isto é, de um sacerdote hindu, o Sidarta de Hesse não deve ser confundido com o Sidarta Gautama, que conhecemos, em geral, simplesmente por Buda. Como ele, o personagem de Hesse sai pelo mundo, despojando-se de riquezas e de certezas, em busca da verdade. Chega a encontrar-se com o Buda, mas, em vez de lhe servir como discípulo, isola-se novamente, na perseguição de seu caminho pessoal.

O Sidarta de Hesse não se interessa por doutrinas, nem por destinos fechados; não crê em revelações prontas, ou iluminações que sigam caminhos preestabelecidos. Em vez disso, busca aquela iluminação absolutamente particular na qual cada pessoa, e apenas ela, se encontra, se reconhece como um ser existente e se dilui na luz – que, enfim, é interior, e nem por isso deixa de ser divina. Até certo ponto, Sidarta, o personagem, imita a trajetória do príncipe Sidarta Gautama, ou Buda, que, depois de ser criado pelo pai num mundo ilusório, sai em busca do fim do sofrimento. Ao relacionar-se com uma cortesã, Kamala, o personagem de Hesse experimenta, contudo, o lado hedonista da existência. Aos poucos, compreende que nem o ascetismo, nem o prazer imediato podem conduzir ao fim do sofrimento. É nesse ponto que, enquanto o Gautama, buscando um "caminho do meio", chega à doutrina budista, o Sidarta de Hesse se afasta de qualquer doutrina, para
buscar, em seu lugar, a pura liberdade interior.

Por seu espírito rebelde e inquieto, Hermann Hesse nunca deixou de agradar aos leitores mais jovens – e por isso seus livros são tomados, muitas vezes, como manuais de iniciação. Contudo, grandes escritores, como Franz Kafka, jamais deixaram de ler Hesse, particularmente obras como Demian e O lobo da estepe. Tais leituras os conduziram à multiplicidade das coisas pois, como Hesse costumava dizer, embora seja uma só, a verdade tem mil faces, e todas elas devem ser aceitas. Sidarta é, em conseqüência, o romance por excelência do antidogmatismo, diferindo radicalmente das obras de auto-ajuda e de esoterismo que se disseminam hoje nas livrarias. Hesse afastou a espiritualidade da perfeição, lançando-a, em vez disso, no caminho incerto da dúvida e da imperfeição, e aproximando-a de certo modo da arte. A fé e a dúvida, ele ensinava, em vez de se excluírem, se correspondem. Onde não se duvida, não se crê verdadeiramente. Lição que se torna luminosa no mundo sectário e sombrio em que vivemos.

JOSÉ CASTELLO é jornalista e escritor


A CRÍTICA E O MODERNISMO
João Luiz Lafetá

Editora 34
Número de páginas: 288

Marco da nossa crítica literária, esse livro investiga a passagem do "projeto estético" modernista, dos anos 20, ao "projeto ideológico", dos anos 30. Enfocando os textos críticos de Agripino Grieco, Tristão de Athayde, Mário de Andrade e Octavio de Faria, o autor produziu um ensaio exemplar, que se move com extrema acuidade, seja no âmbito abrangente da história literária, seja no universo reduzido de cada obra.

Índice
Prefácio
Os pressupostos básicos
1. Modernismo: projeto estético e ideológico
2. Da fase heróica aos anos trinta
3. Vanguarda e diluição
4. A crítica do decênio: pressupostos para seu estudo
Retórica e alienação (Agripino Grieco)
1. O homem e o meio
2. O jornal e o método
3. A bricolagem, o retrato e a conversa
4. O impressionismo e o ecletismo
5. O humor e a política
6. A alienação e a crítica
Os temas da reação (Tristão de Athayde, I)
1. O católico e o crítico
2. A tarefa de separação
3. Religião, Freud, revolução
4. Tradição e catolicismo
5. A história e a ordem
6. As posições políticas 1930
A literatura subjugada (Tristão de Athayde, II)
1. Indícios de uma crítica estética
2. Um conceito de engajamento
3. O choque dos projetos
A consciência da linguagem (Mário de Andrade, I)
1. As categorias da crítica
2. As poéticas da juventude
3. Psicologismo e ruptura da linguagem
4. Técnica e linguagem construída
Ética e poética (Mário de Andrade, II)
1. De um projeto a outro
2. O artista e a sociedade
3. Ética e técnica
4. A escritura e o insatisfeito
A volta do velho (Octavio de Faria)
1. Tempo de romance: o crítico e sua teoria
2. O romancista e sua prática: o estilo é o homem?
3. Reação ao Modernismo: a alegria confiscada
Sumário
Bibliografia
1. Críticos estudados
2. Outras obras
Índice onomástico


COLEÇÃO PLANETA DE AGOSTINI
GRANDES ESCRITORES DA ATUALIDADE

TODOS OS NOMES
José Saramago

Editora: CIA DAS LETRAS
Número de páginas: 280

O consagrado escritor português José Saramago comparece com Todos os nomes, a história de um escriturário, com vida modesta – Sr. José – que tem por hobby colecionar recortes de jornal sobre pessoas famosas. Um dia, levado por curiosidade, acaba se concentrando numa mulher, que não é célebre, mas capaz de despertar no escriturário a vontade de conhecê-la. Para tanto, termina abandonando a retidão e começa a praticar pequenos delitos, pequenas mentiras que darão um outro ritmo à sua rotina. O romance funciona com um enredo kafkiano às avessas, em que o sentido básico será a fidelidade à vida.