Universidade Estácio de Sá Entre no Campus Virtual

EDIÇÃO 1 18 de agosto de 2003
Editorial
Entrevistas
Crônicas
Fórum de Debates
Coluna de Música
Coluna de Cinema
Coluna de Teatro
Coluna de TV
Coluna de Inglês
Coluna de Alemão
Coluna de Português
Lançamentos
Resenhas
Sebos
Livrarias
Livros Recomendados
Eventos
Publicações em Jornais e Revistas
Cartas do Leitor
Coluna Social
Horóscopo
Classificados
 

Alternativa SEBO

Aquele livro que você procura está esgotado? Além do seu orçamento? Que tal visitar um sebo?

A cidade do Rio de Janeiro conta com um grande número de sebos para todos os tipos de leitores e bolsos, onde podemos encontrar desde o livro didático até verdadeiras obras raras com os mais variados preços.

Nesta nossa primeira edição apresentamos uma entrevista com o professor Antônio Carlos Secchin, carioca, crítico literário, doutor em Letras e professor titular em Literatura Brasileira da Faculdade de Letras da UFRJ. Bibliófilo, escreveu o trabalho: Guia comentado dos sebos das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Editado pela Nova Fronteira, já esgotou sua 3ª edição, porém com a promessa de uma nova edição, ainda para este ano, revisada e atualizada.

Enquanto aguardamos a nova edição, vamos aprender um pouco mais sobre esse tradicional mercado nas palavras do nosso entrevistado.

Professor, como surgiu a idéia de elaborar o Guia dos Sebos?

Prof. Secchin:
Freqüento sebos há mais de 30 anos, e percebi que fazia falta um livro desse gênero, pois nem mesmo meus alunos de Letras conheciam os sebos dos bairros em que residiam, e todos se queixavam dos preços dos livros novos.

Como explicar que um livro sobre sebos, como o seu, consiga vender tantas edições?

Prof. Secchin:
Exatamente por suprir uma demanda do mercado. O mais curioso é que uma obra que fala sobre livros velhos foi muito bem vendida em lojas que só vendem livros novos...

Em uma época que surgem as "mega book stores", onde encontramos som, música, vídeo e também livros, todos juntos, qual o espaço dos sebos? Quem é seu público? Que apelo lhe restou?

Prof. Secchin:
De fato os livros antigos não convivem com as lojas novas e gigantescas. Creio que, no Brasil, não há um único sebo instalado em shoppings. É necessário levar em conta as especificidades do público. Por outro lado, alguns sebos vendem cds, vinil, fitas de vídeo. Creio que um sebo pode atender a todo tipo de demanda, desde o aluno de segundo grau, que deseja um livro didático mais em conta, até o colecionador de raridades.

Qual(ais) o(s) tipo(s) de livro mais procurados nos sebos do Rio e São Paulo?

Prof. Secchin:
É o que os livreiros chamam de gêneros de alta rotatividade: didáticos, auto-ajuda, romances... Muitos não fazem questão de trabalhar com livros raros, porque, embora muito valiosos (podendo valer milhares de reais), são para clientela muito restrita.

Quais as características de um bom sebo? Como podemos avaliar um bom sebo?

Prof. Secchin:
Um bom sebo é aquele que tem o livro de que você precisa por um preço que você pode pagar.

Os sebos ao ar livre, não faz muito, eram restritos a poucos pontos, particularmente no centro do Rio; atualmente estão se proliferando até mesmo em bairros residenciais. Estaríamos revivendo a força do sebo ou seria apenas uma explosão pontual, resultante da crise econômica? Estaria a crise econômica fazendo com que a procura por sebos sofresse um aumento?

Prof. Secchin:
O mercado de sebos sempre existiu, independente das crises econômicas. Nelas, a procura por sebos aumenta, mas, ao contrário do que se possa inicialmente supor, o aumento não é para a compra, e sim para a venda dos livros velhos que alguém tem em casa, e que, no primeiro aperto financeiro, vão logo para o sebo...

Na qualidade de bibliófilo, qual sua opinião sobre o futuro do livro eletrônico: poderá ele superar o prazer e a sensação tátil do livro impresso?

Prof. Secchin:
De modo algum. O livro é dos raros produtos culturais que não sofre com a eletrônica. Você já viu alguém lendo livro eletrônico na cama ou na rede? Ou sob a copa de uma árvore?

Professor, haveria alguma curiosidade a ser mencionada?

Prof. Secchin:
Confesso meu agradável espanto quando soube que, num levantamento nacional, meu Guia dos sebos das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo estava entre os dez livros mais vendidos. Sairá este ano, pela SABIN/ Nova Fronteira, outra edição da obra, revista e ampliada. Há muitas histórias interessantes no reino da bibliofilia. Talvez um dia escreva sobre elas, mas a discrição é a boa norma.


Entrevista concedida ao aluno Sérgio Narcizo - Campus Méier

Caso você queira nos enviar um e-mail, ou enviar perguntas a nosso convidado o endereço é: eter_net@yahoo.com.br