Universidade Estácio de Sá Entre no Campus Virtual

Editorial

O impacto da tecnologia digital na produção audiovisual contemporânea já é inegável. Não consideramos nem mesmo uma novidade porque, afinal, há pelo menos 10 anos, esta tecnologia está promovendo mudanças e discussões em nossa área. Mas hoje amplia-se o campo da pesquisa acadêmica e uma maior crença nas possibilidades criativas e mercadológicas desde a produção até a exibição da tecnologia numérica.

Apresentamos, neste número da DIGITAGRAMA, um fragmento dessa discussão, através de artigos de professores e pesquisadores de cinema. Ney Costa Santos estabelece em seu texto um paralelo entre o neo-realismo italiano e o impacto das novas tecnologias e captação e edição de imagens, tomando particularmente o pensamento do cineasta italiano Roberto Rosselini como referência. Já Francisco Bonora aponta para o futuro, revelando, pela pesquisa que realiza no Núcleo de Tecnologias Avançadas da Universidade Estácio de Sá, as novas relações que se estabelecem entre tecnologia e estética e as experiências inovadoras do cineasta Jorge Bondasky e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que desenvolve um software para transmissão de imagens via internet. É da mesma Universidade, a UFRN, que vem o artigo da professora Maria Helena Braga e Vaz da Costa, no qual ela apresenta parte de sua pesquisa sobre as cidades em sua relação com a produção de imagens contemporâneas. Cezar Migliorin, no artigo O dispositivo como estratégia narrativa, apresenta sua pesquisa com base em um paralelo entre o documentário Rua de Mão Dupla, de Cao Guimarães, e o reality show televisivo Big Brother, discutindo o estatuto da imagem contemporânea e a produção do acontecimento fora do controle do artista. Alex Patez Galvão analisa as atuais dificuldades do mercado sob a ótica das produções independentes.

Apresentamos, ainda, uma resenha de Elianne Ivo Barroso, baseada no livro Num Piscar de olhos: a edição de filmes sob a ótica de um mestre, de Walter Murch, além de uma entrevista com Roberto Moreira, diretor do longa-metragem Contra todos. O filme, realizado em digital, foi exibido em pré-estréia, com presença do diretor, em nosso curso; e, em breve, estará disponível nas Folhas de Cinema. Por enquanto, encerramos esta apresentação com uma frase do diretor que soa como um conselho para os estudantes de Cinema que devem estar atentos à inovação que o digital tem trazido para o mercado audiovisual: "(...) é melhor se ligar e olhar para a frente e não, com nostalgia, para trás".

Angélica Coutinho
Diretora do Curso de Cinema da Universidade Estácio de Sá